KILL AO
STATUS
COMPLETE
VOLUMES
13
RELEASE
September 1, 2025
CHAPTERS
115
DESCRIPTION
Juzo Ogami’s a legend. Even among hit men, his name sends shivers down spines. There’s never been a job he couldn’t handle—that is, until the day he wakes up as a teenager! But how has his body transformed? To find out, he’ll have to infiltrate the one place he thought he’d never find himself in again…school!
(Source: VIZ Media)
CAST

Juuzou Ougami

Noren Mitsuoka

Chisato Shiraishi

Eri Wanibuchi

Tenma Tendou

Kotatsu Nekota

Mai Otohime

Kazuma Rindou

Ryou Shiraishi

Mei Tamada

Shin Kohazame

Eiji Rindou
CHAPTERS
RELATED TO KILL AO
REVIEWS

Dinizo
48/100Será que qualquer outra pessoa no planeta se esforçaria a escrever um texto tão grande sobre esse mangá?Continue on AniListImagine que você é um editor da Jump, uma revista que está passando por uma crise há uns 10 anos, desde o fim de Naruto e Bleach, e aí chega um autor renomado e com sucesso prévio na revista com uma historinha de battle-shonen de adolescentes em uma escolinha. Parece uma nova fórmula do sucesso. O público parece demandar cada vez mais mangás do tipo e apostar num autor veterano ajuda a chamar atenção pra alavancar um pouco as vendas da revista. Pois bem, aí temos Kill Blue.
O mangá criado pelo autor do grande Kuroko's Basketball, Tadatoshi Fujimaki, tem uma história bem simples. Ogami Juuzo é um dos maiores e melhores assassinos do Japão. Lendário e conhecido por todos do ramo, Ogami está passando por uma pequena crise de meia idade, já que está prestes a fazer 40 anos. Por conta disso, ele tem ficado meio emotivo e arrependido de certas decisões que tomou. No desenrolar de uma missão, Ogami é picado por uma vespa geneticamente modificada, que possui um veneno que rejuvenesce o corpo da vítima. Com ajuda de companheiros do sindicato em que trabalha, ele descobre que o veneno é da empresa Mitsuoka Pharmaceuticals e agora, aproveitando seu novo corpo de adolescente de 13 anos, Ogami precisa entrar em um colégio e viver a vida de estudante que nunca teve, conciliando seu desejo de recomeçar a vida, com o de descobrir o que aconteceu com ele, já que a filha do dono da empresa, estuda na mesma escola.
Minha relação com Kill Blue é meio complexa. Eu comecei o mangá achando ele muito chato e um pouco covarde, mas depois, acho que em um misto de entender pra onde o autor queria levar a história e também um pouco de costume de estar lendo o mangá quase toda semana, eu passei a me entender com algumas características do mangá e me irritado com outras. Diferente dos outros mangás que eu tenho tentado "analisar" aqui, que são em maioria cancelamentos medíocres, Kill Blue é um pouco maior, então é um pouco mais denso para se falar dele em um texto de apenas cinco ou seis parágrafos. Portanto, eu acho que é melhor dividir toda essa megalomania de fazer review de mangá grande em tópicos. Não preciso nem dizer que é óbvio que tem muitos spoilers no texto abaixo.
Um quase battle-shonen
Uma das coisas que são mais difíceis de compreender no desenvolvimento é se o mangá quer ser um battle-shonen ou não. Perceba: Estamos lidando com a história de um assassino no Japão, que foi rejuvenescido com a ajuda de uma vespa geneticamente modificada, e passa boa parte do mangá lutando contra outros assassinos que usam chupeta, drones invisíveis, alteração corporal e outras coisas. É uma história significativamente fantástica e, apesar do pano de fundo, parece nunca querer mergulhar verdadeiramente na ação que proporciona. O mangá nunca desiste da ação, sempre recorrendo a ela nos momentos que mais precisa, mas parece sempre tentar fugir e contornar a situação criando subterfúgios mais lúdicos pra fingir que aquilo não é uma luta, realmente.
Ocorre que, ali pelos primeiros trinta capítulos, o pai da Noren, o dono da Mitsuoka Pharmaceuticals, inventa e instaura no colégio de rico onde eles estudam, o Desafio da Caneta, em que o dono da caneta, é o detentor da mão da filha dele em casamento, e vai ficar com esse stand-by até que a menina complete 18 anos. Como a empresa é valiosa, e todos os sindicatos do mundo querem o segredo do veneno do rejuvenescimento, toda hora aparece um assassino para tentar vencer o desafio e recuperar a tal caneta, que está com quem? Isso mesmo, com o Ogami, porque os colegas de sala ficam constantemente achando que eles são um casal - falaremos disso em breve. Esses desafios sempre são definidos através de algum jogo ou esporte. Seja uma partida de futebol, campeonato de surfe ou coisas mais estapafúrdias, como uma competição de culinária ou um desafio de quem come mais macarrão. A lógica é que a luta entre o Ogami e outras crianças assassinas aconteça de maneira disfarçada, sem que as crianças não-assassinas desconfiem que tem gente querendo se matar enquanto está brincando de pega-pega pelo colégio.
Com uma arte incrivelmente fluida e bonita, não podemos negar que o Fujimaki é bom pra cacete fazendo quadrinhos, as lutas sempre foram o grande atrativo do mangá, porque toda a maquiagem que ele tentava construir de uma suposta normalidade na vida em sociedade não era muito abarcada pela estrutura hierárquica da escola e toda a integração de assassinos à sociedade também não era totalmente disfarçada, então sempre parecia que o mangá estava se prendendo para não soltar o que ele poderia fazer melhor, era estranho. Mas com o tempo, eu fui percebendo que o mangá não tava ali pra ser um battle-shonen. Pelo menos não somente.
Saindo na Jump, um mangá que já tinha outras quinhentas obras de battle-shonen fantástico, eu acredito que o mangá tentou muito absorver e colocar naquela quantidade meio surreal de acontecimentos, um clima e ambiente escolar realmente. O Ogami tem alguns, poucos, momentos de reflexão sobre o fato de ter voltado a ter 13 anos, e sempre olha para esse paradigma como desafiador - o que é parte das piadas, um velho de 40 anos passando por constrangimentos e dificuldades de adolescentes - mas também como uma segunda chance para oportunidades perdidas. Ele fica feliz de poder estudar física e se empenha pra aprender as matérias, porque se arrepende de não ter vivido esses momentos em sua adolescência real, já que ficou treinando constantemente e largou a escola. Eu acho que o Fujimaki nunca concatena bem esses dois fatos, uma vez de que a história quer tentar evidenciar o lado escolinha como algo legal, mas quando ele parte pra lutinha sem se prender muito, o mangá é muito mais eficiente e dinâmico nesse aspecto, então é como tentar convencer que comer um prato de couve é mais legal que comer uma barra de chocolate. Pode ser melhor pra sua saúde, pode ser o certo, mas mais legal definitivamente não é.
O Desafio de Noivado e a Noren
Noren Mitsuoka meio que é a segunda protagonista da história. Ela é o grande "alvo" da missão do Ogami. Noren começa a história como uma patricinha comum, menina riquinha, uma das mais ricas do colégio, inclusive, e seca com basicamente qualquer menino. O objetivo inicial de Ogami é inicialmente se enturmar com ela, mas a coisa acaba se transformando em protegê-la, já que, além dos desafios impostos pelo pai em relação a mão dela em noivado, a história vai mostrando que ela também pode ser uma chave importante para descobrir qual é o segredo que envolve o veneno da vespa. A Noren tem um trabalho de meio-período como ajudante de cozinha na loja de lámem do tio, e apesar de ter crescido cercada de dinheiro, gosta da sensação de por a mão na massa para fazer um bom lámen, e justamente por isso entra para o Clube de Economia Doméstica, um dos muitos clubes daquela escola. É lá que ela e o Ogami criam e formam algum tipo de amizade, ainda mais depois que o Ogami vai até a loja onde ela trabalha e a descobre lá, já que ele é um enorme fã de lámen. Como a imagem de patricinha dela seria manchada, a menina inicialmente tenta manter segredo em relação a isso, só que a partir daí, a amizade deles começa.
Como eu citei antes, a ideia dos desafios de noivado são, em grande maioria, chatas. Os desafios não são realmente instigantes e eles ainda competem com os momentos de lutinha. No entanto, o grande paradigma dos desafios é o fato de que o pai da menina jogou a mão da filha em casamento pra qualquer um de qualquer jeito. No Japão, existe uma prática muito bem sucedida em empresas familiares, que é a da "adoção de adultos". Eu não tenho um repertório cultural pra explicar isso de forma muito didática, mas, basicamente, é integração de uma nova pessoa aos negócios de uma família, pra que novos ciclos de experiência e um novo ponto de vista, fora do ambiente familiar, agregue na gestão dos negócios. Esse esquema é feito, geralmente através de casamentos rigorosamente escolhidos. Geralmente esse papel cabe à filha da família, de casar com um homem muito bem apessoado e sucedido, que possa dar a ele o direito de herdar os bens e domínios da própria empresa, garantindo a continuidade do sucesso. Os Desafios de Noivado com a Noren, parecem seguir a mesma lógica, já que, como existem diversos assassinos disputando a posse de uma caneta, o desafio garante que o melhor e mais habilidoso entre os assassinos, vai estar em posse do objeto e, portanto, ele é o mais competente para ter a mão da filha.
O que gera um problema óbvio: ele não leva em consideração as vontades da Noren. Falaremos do pai dela em breve, mas por um bom tempo, ele fica oculto na história e a história demora a pontuar o quanto é pau-no-cu sujeitar a própria filha a essa situação, e tudo que a Noren faz fica parecendo um pouco de birra, é estranho. Mas após um incidente em que dois assassinos reais aparecem - os primeiros assassinos a realmente participarem do desafio - a Noren passa a confiar no Ogami e pede ajuda para que ele finja querer ser o namorado dela, porque aí ela pode ficar em paz de caras terrivelmente estranhos que aparecem na escola querendo a mão dela. E isso nos leva a um grande, talvez o maior problema da série.
O Fake Fake-Dating
É óbvio que, fingindo que são um casal, a Noren ia finalmente se apaixonar por ele, né? Esse é o mais irritante problema que persegue a obra ao longo de praticamente todo o seu desenvolvimento. Já passamos por diversos momentos do otaquismo online pra entender algumas problemáticas que existem em certas obras japonesas com relação a pedofilia, e a obra praticamente abre com essa sugestão de que a menina de 13 anos vai se apaixonar pelo cara de 40 que está no corpo de um menino de 13 anos. Como o Ogami não é o Caetano Veloso, ele bate firme o pé de que não existe a menor possibilidade dele sequer cogitar se apaixonar por uma criança. E acho que o Fujimaki foi muito competente em desenhar essa linha bem cedo, nesse arco com os assassinos de verdade, os irmãos Shindou, ele usa aquele recurso da pessoa ser hipnotizada pra se apaixonar por quem visse na Noren, e o Ogami segue firme em esquivar da situação e desenhar uma linha clara de: Aqui eu não vou ficar brincando com isso. A régua é tão baixa pra anime e mangá, que eu infelizmente tinha que ter esse medo constante de saber se a história ia ou não por aquele caminho tortuoso.
Só que, pra minha surpresa, isso não é o suficiente pro Fujimaki. Depois desse momento, em que eu sinto que estabeleci um acordo com a obra, de confiar que ele não cruzaria aquela linha, o Fujimaki ia, paulatinamente, inserindo uma brincadeirinha aqui, uns amigos pegando uma conversa pela metade e interpretando errado ali... A coisa ia se contornando em situações meio estressantes. Momentos com a Noren se descobrindo de forma sentimental, questionando sentimentos e aí, é lógico, ela se apaixona genuinamente pelo Ogami. Bem, eu sei que mangá é tipo novela. O autor tem uma coisa planejada, mas às vezes o interesse do público caminha pra outro lado. Pode até ser que o público japonês se interessasse em especulação com esse casal, mas depois de você desenhar uma linha que não seria cruzada de jeito nenhum, fica muito feio você ficar forçando e dando piscadinhas pro leitor do tipo "será que eu não vou cruzar essa linha mesmo?" É uma disputa muito cansativa ficar quase que brigando com a história, definindo uma situação e ameaçando quebrá-la o tempo inteiro. E o desenvolvimento da Noren nem é ruim! Se fosse em um mangá normal, de adolescentes reais, seria um ótimo desenvolvimento, porque a história trabalha muito lenta e naturalmente o desenvolvimento da relação que os dois constroem. Se fosse um romance normal, seria um ótimo romance, pros padrões de mangá da Shonen Jump. Mas não é uma situação convencional.
No fim, o mangá nunca realmente cruza a linha. A história termina com uma confissão forte e emocionante da Noren, até descobrindo a verdade sobre o Ogami ser assassino e um homem de quarenta anos, mas o Ogami dispensa educadamente a garota, até o final, pois ele a vê quase que como uma filha ou uma sobrinha. Se fosse uma história que se desenrolasse de modo normal, sem forçação de barra e sem ficar dando piscadinha pro leitor, talvez até fosse mais aproveitável, mas a história inteira fica brincando e ameaçando quebrar uma coisa que já estava estipulada como estrutura. Não é nem uma questão narrativa, tipo, sei lá, descobrirem o segredo do Ogami. Isso era algo que estava posto e ficava o tempo inteiro sendo ameaçado, porque era algo que acrescentaria problemas e dinâmicas novas às interações de personagens, moveria a história. Ficar brincando com um possível relacionamento dos dois era apenas uma perda de tempo e uma sarna pra se coçar que era maior até que o escopo do mangá. É só horrível.
O pior personagem de Kill Blue, à revelia
Posto o elefante que estava na sala pra fora, podemos falar de outros pormenores relevantes da história. Entre eles, o próprio protagonista do mangá, Ogami. O Ogami entra nessa completamente forçado e, apesar de carregar consigo alguns arrependimentos, não é, de início o homem mais disposto do mundo a mudar a sua situação. O Ogami trabalha para a Z.O.O., um dos sindicatos de assassinos que atua no submundo japonês. E, aproveitando-se da sua nova condição, o elo mais acessível da organização para descobrir as fórmulas e segredos empresariais da Mitsuoka Pharmaceuticals é a filha do dono, por isso ele é envolvido na sua missão. O Ogami trabalha principalmente com seu aprendiz e auxiliar, Nekota, e com a ajuda sua ex-exposa e chefe do departamento científico do sindicato, a Eri.
Um dos grandes pontos da jornada do Ogami é a redescoberta pelos pequenos prazeres da vida, não disponíveis a ele, que teve uma vida inteira focada em trabalho e assassinato. O Japão é um dos países em que mais se trabalha no mundo, com alguns trabalhadores sendo levados a viver jornadas de até 60h semanais, e é quase cultural a percepção de que o emprego é uma máquina de moer a felicidade e o seu tempo. Por isso, é comum que muitas histórias foquem demasiadamente em ambientes escolares, porque é o momento em que os japoneses tem a possibilidade de viver mais livremente, embora estudantes no Japão também sejam submetidos a rotinas bem rígidas e dedicadas, mas é uma crença real por lá de que o período da adolescência e do colegial, é o período onde você mais deve aproveitar, porque depois o reles trabalhador será obrigado a se matar de trabalho até ficar velho. Claro que tudo isso é posto sobre um olhar mais lúdico, extrapolando a situação pra um assassino de meia-idade, mas é muito fácil ver um impacto dessa percepção cultural dentro do Ogami. Ele é um cara que se emociona em poder ler um livro e sofre mais em estudar física do que usar uma arma pra neutralizar cinco pessoas de uma vez. E tudo porque ele teve uma infância e uma adolescência voltada para o trabalho que exercia. Por isso, grande parte da jornada dele é se perceber aproveitando e curtindo muito cada um desses momentos, que ele não teve o direito de ter. É a clássica reflexão do "O que você faria se pudesse voltar no tempo?"
O ponto central é que o Ogami tenta usar a "oportunidade" que recebeu para se tornar uma pessoa melhor, a medida que ele vai tentando descobrir como recuperar o seu corpo novamente. O mangá até tenta pontuar isso, já que o Ogami parte pra uma atitude de "não vou matar mais ninguém", mas como ele continua trabalhando para um sindicato de assassinos, nunca é um ponto muito aprofundado. O verdadeiro empecilho a essa situação do Ogami é a sua filha.
O Ogami e a Eri tem uma filha, que eles cuidam em separado. Como ambos são agentes secretos, eles precisam de certa forma esconder algumas coisas dela. O Ogami até cita em alguns momentos que gostaria de ser um pai melhor, mas a filha dele NUNCA é mostrada ou lembrada por ele. Existe um momento, bem no começo do mangá, que o Ogami e a Eri se preocupam com a filha de ambos, porque o Ogami não poderia visitar ou falar com a filha enquanto estivesse na forma de criança, e depois nunca mais. O homem que está tentando se tornar uma pessoa melhor sequer liga ou pergunta da própria filha nem uma vez sequer, a menina nunca nem aparece. A história pontua que ele era um marido bosta e desleixado, e a própria Eri joga isso na cara dele em um capítulo que os dois se encontram pessoalmente, mas isso é levado muito mais para o lado da comédia do que uma reflexão real. Apesar do Ogami querer, textualmente falando, a história nunca aborda como se ele estivesse se esforçando para melhorar como pessoa. Ele apenas curte os momentos que não aproveitou como adolescente e não se esforça pra reverter possíveis prejuízos que ele causou. Nem sequer reflete sobre o fato dele ser mesmo um assassino. E tudo bem, não precisamos mergulhar de forma profunda e filosófica sobre direito de matar em um mangá de lutinha, mas a meu ver é meio surreal um personagem que é um pai bosta e precisa melhorar, não fazendo esforço para tal. Ali pelo meio do mangá, eles conseguem um remédio que corta temporariamente os efeitos do veneno e devolve ao Ogami o seu corpo real e nem assim o filho da puta vai visitar a filha e tentar se fazer presente.
E no caso, o problema aqui é a escrita que o Fujimaki usa, mesmo. O personagem diz textualmente sua intenção, mas a história nunca trabalha como se isso fosse intenção ou negligência dele. Existem pessoas dispostas a mudar que falham também, claro. Mas quem aprece negligenciar a jornada é a própria história, e geralmente em prol e outras coisas. O Ogami, por conta disso, nunca se torna um personagem realmente cativante nas cenas em que ele aparece. Por ser o melhor assassino do mundo, ele já tem uma certa facilidade em resolver os desafios físicos, então apenas abandonar os desafios morais e intelectuais da história deixa tudo fraco e sem um peso tão relevante assim. O Ogami tinha potencial pra ser um protagonista legal, tipo o Sakamoto, de Sakamoto Days. Mas não, ele fica como um gosto estranho, como se fosse uma azia persistente ao longo do mangá.
O pior personagem de Kill Blue, a contesto
O cara da chupeta. Ele é o pior boneco. Disparado.
Eu já sou muito repulsivo a adultos de chupeta. Acho uma coisa ridícula e, embora não tenha absolutamente nada a ver com o mangá, me revolto fortemente em ver vídeos aleatórios de gente neurotípica que lida com ansiedade chupando chupeta. Sério. Vai à merda. Neuroatípicos em geral, que possuem algum tipo de prejuízo intelectual e precisam de reforçadores, eu até acho que compreendo, mas tenha misericórdia. E o Shin não é absolutamente nada disso. Ele é um moleque comum, que chupa chupeta só porque o Fujimaki achou que seria engraçado. E ele ainda é um merda. Ele supostamente se apaixona pela Noren e fica com ciuminho da amizade entre ela e o Ogami, além de ser stalker e ficar vigiando e perseguindo a Noren. Eu odeio muito ele, e todas as aparições desse merda me adoeciam profundamente.
Cancelado?
O fim do mangá já era especulado há alguns meses. Ali pra março/abril, o mangá deu uma guinada forte em direção a um fim. A história caminhava em seus passos bem calculados e lentos e subitamente escalonou bastante. Em resumo, a Jardin, um dos sindicatos rivais da Z.O.O., onde o Ogami trabalhava, se apossou do Colégio Rikka, onde os estudantes viviam. O diretor, Oka Yoichiro, era o líder da organização e assumiu o controle da escola para fiscalizar e monitorar o entorno da Noren, porque a Jardin, que antes tinha uma relação um pouco mais cordial com o Mitsuoka, também tinha interesse sério nas pesquisas com relação ao veneno da vespa. Depois de um entreveiro em que o Ogami conseguiu enfiar a porrada em uns membros da Jardin, a coisa tinha assentado e o Oka propôs uma trégua, já que nem ele nem o Ogami tinham muitas condições de travar uma guerra ali, no meio de um monte de adolescentes inocentes. E, portanto, a situação tinha ficado de stand-by até que repentinamente as coisas viraram e o Ogami "atacou" o grupo do Oka, dispostos a tirá-los do colégio. Isso resultou na Noren descobrindo que o Ogami era um assassino - sem descobrir que ele era um cara mais velho - e a história avançando a partir disso. Em seguida, já ciente que tinha alguma merda muito estranha rolando envolvendo ela própria, a Noren decide confrontar o próprio pai sobre a situação, e ambos vão até o seu Mitsuoka falar do tal casamento arranjado.
A partir daí o mangá progride organicamente em direção ao fim: Descobrimos os segredos do pai da Noren - que não era pai dela, realmente - descobrimos qual é a real composição e os objetivos do Mitsuoka em relação ao veneno da vespa, e também, claro, que a Noren não era realmente uma criança, mas uma adulta rejuvenescida pelo veneno, e com a memória apagada, pois era justamente ela a criadora da substância.
Diferentemente do resto da obra, esse final caminhou muito mais rápido no desenrolar das coisas, e muita gente se questionou se ele teria sido, enfim, cancelado. Não era novidade pra ninguém que Kill Blue vendia muito pouco e não conseguia disputar muito entre os nichos distintos da revista. Não tinha romance, pelos motivos óbvios, não tinha comédia, porque a comédia era um dos aspectos mais fracos do mangá, e não tinha a menor chance no aspecto lutinha, porque tem outros 10 mangás da Jump que são focados em lutinha. Em resumo, Kill Blue nunca chamou muita atenção e viveu várias épocas perigando ser cancelado e, na minha visão, foi salvo muito em função de obras muito ruins que foram estreando ao longo dos anos, e que eram justamente canceladas antes. Sem contar que o mangá terminou com direito a uma página colorida de despedida e o anúncio de um anime. De forma alguma foi um cancelamento. A Jump realmente tratou com respeito o Fujimaki, não apenas por ele ser um trabalhador como qualquer um, mas também em parte por ele ter feito um outro grande sucesso muito influente na revista. Independente da qualidade que se perceba na obra, o Fujimaki foi capaz de segurar um mangá de mais de 100 capítulos dentro da revista, então dá pra dizer que o mangá deu certo sim, num sentido editorial.
Mas eu acho que é evidente que o final veio muito antes da hora, pelo andar que a história levava. O Fujimaki enfiou uma história de "estudantes unicórnios", que eram uns alunos de destaque que usavam um uniforme especial, que ele nunca desenvolveu, teve um suposto lapso de memória envolvendo a Noren, que ela atacou o Ogami durante a competição de surfe, sem falar a complexa hierarquia de assassinos que estavam envolvidos no caso do veneno, e que foi toda pulada de última hora. Sem falar que teve uma trama muito pouco explorada de CLONAGEM HUMANA, em que o diretor e líder da Jardin, Oka, tinha um clone em tamanho reduzido que acabou se rebelando contra ele. Fora as questões envolvendo o Conselho Estudantil, a solução para o veneno e, claro, a filha do Ogami que nunca apareceu. Se você ler a história, vai dar pra perceber que o segmento principal da narrativa foi bem fechado e amarrado, mas outras pontas acabaram ficando deixadas de lado, de um jeito que não pareceu negligência apenas, mas falta de tempo. Eu imagino que a Shueisha tenha chegado de comum acordo para o Fujimaki na tentativa de encerrar o mangá de forma digna, recebendo algum tipo de destaque, além da adaptação animada, que vem aí e pode ajudar a popularidade a subir um pouco. Em troca, o Fujimaki dava uma acelerada na história, porque no fim das contas, a Jump não tava sendo muito beneficiada no esquema. E talvez tenha sido um final digno. Apesar de eu ter muita coisa a reclamar desse mangá, ele foi competente em várias outras áreas, e acho que não merecia ser enterrado numa mesma categoria que Ayashimon, Shadow Eliminators ou Do Retry, sabe? Acredito que Kill Blue merecia mais, e teve.
Eu poderia me ater a outros detalhes em relação a história, acho que eu poderia comentar sobre outros personagens como o péssimo Shido, o aluno PM, o divertidíssimo casal Tenma-Chisato, passar mais tempo xingando o cara da chupeta ou reclamar do desfecho podre no último capítulo, mas acho que o texto fica melhor como um grande desabafo que eu fui soltando, sobre aspectos mais gerais. Até porque eu não li esse mangá de uma vez, estou lendo ele semanalmente desde 2023, então algumas coisas lá do começo já não estão mais tão frescas na mente. Eu gostaria de ilustrar o texto com algumas imagens que o pessoal costuma botar aqui, mas eu estou com certa preguiça de indexar imagens html, até porque eu teria que procurar certas coisas. Não é um mangá popular o suficiente pra ter um grande acervo de imagens disponíveis por aí. Está longe de ser o melhor mangá do mundo, e na real ele é até um pouco mais irritante de ler e pensar sobre, às vezes, mas eu acho que ele conquistou o próprio espaço devido e, apesar de eu ter uma grande picuinha com ele, acredito que o saldo final é positivo. Até pelo fim da história. Agora eu não preciso mais brigar contra o mangá semanalmente, e posso deixar ele ficar apenas na memória e aí quem sabe, ele se sedimente como uma coisa muito melhor do que foi a experiência de ler semanalmente. É engraçado pensar em como é complexa a nossa relação com as coisas que lemos ou assistimos.
SIMILAR MANGAS YOU MAY LIKE
MANGA ActionSAKAMOTO DAYS
MANGA AdventureMeitantei Conan
MANGA ActionFull Metal Panic!
MANGA DramaKowashiya Gen
MANGA ActionMarriagetoxin
MANGA ActionKiller Pedro
MANGA ActionSarashimono
MANGA ActionShinobigoto
SCORE
- (3.15/5)
TRAILER
MORE INFO
Ended inSeptember 1, 2025
Trending Level 3
Favorited by 67 Users
Hashtag #キルアオ








